quinta-feira, 19 de junho de 2008

GRAVIDEZ

Comitê de Atenção à Gravidez na Adolescência é criado no Pará.

De acordo com as Organizações das Nações Unidas, em pesquisa realizada ano passado, do total de grávidas que tiveram bebes em Belém no ano de 2007, 77,9% eram meninas com idade entre 15 e 19 anos.
Com o objetivo de diminuir esses índices na cidade, foi aprovada hoje, em sessão especial na Assembléia Legislativa, a criação de um Comitê de Atenção à Gravidez na Adolescência. O projeto foi proposto pela deputada estadual Ana Cunha (PSDB).
O objetivo do comitê será o de desenvolver ações conjuntas de prevenção e orientação à gravidez na adolescência no Pará. “A nossa posição é de estimular ações de promoção e prevenção no que se refere à atenção para a gravidez precoce no âmbito escolar, na saúde, núcleo familiar igreja e comunidades organizadas”, disse a deputada autora do projeto.

DADOS

A falta de estrutura familiar, a pobreza e a falta de informação foram apontadas como os principais causadores da gravidez de adolescentes e crianças no Pará. Dados do Ministério da Saúde, apresentados no compêndio Saúde Brasil 2006, referentes ao período de 1980 a 2000, alertam para o aumento do número de mães com idade entre 15 e 19 anos. E que em 2000 esse percentual aumentou em 19,4%, sendo que na região Norte essa participação foi de 22,6% e no Centro-Oeste, de 23,6%.
Mas se no Brasil constata-se o crescimento dos índices sobre gravidez na adolescência, no Pará vem acontecendo o inverso, conforme dados apresentados pela diretora técnica da Sespa, Rosana Brito. Ela informou que de 2004 a 2005 houve uma redução de 20% no número de adolescentes grávidas no Pará.
Contudo, explicou Rosana Brito, o estudo leva em consideração apenas o Índice de Notificação de Nascidos Vivos. Em 2004, houve 2.035 nascimentos no Pará e, em 2005, 1.620 crianças, todas de mães na faixa etária de 10 a 14 anos. Já na faixa etária entre 15 e 19 anos, em 2004 foram notificados 39.851 nascimentos, e 30.015 em 2005.
Rosana Brito atribui a redução nos índices de gravidez precoce, em nível estadual, a ações paralelas de órgãos e entidades como agentes disseminadores de informação entre os adolescentes. “Eu acho que esse comitê vai permitir que a gente canalize as ações, para que possamos trabalhar juntos para buscar cada vez melhores resultados”, disse a técnica.
Sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), Rosana Brito se mostrou mais preocupante. É que de 1998 a 2005 foram notificados 237 casos de adolescentes grávidas no Pará portadoras do vírus da Aids, o HIV, na faixa etária de 10 a 19 anos.
Outro dado preocupante apresentado na audiência está na pesquisa da Unesco, realizada em 2002, em 19 escolas de Belém e que envolveu 1.610 alunos. Verificou-se o abandono dos estudos num percentual de 6,9% em escolas públicas e 0,1% em escolas privadas.
A presidente da Sociedade Paraense e Pediatria e coordenadora da Unidade de Referência Estadual Materno Infantil e Adolescente (URE-MIA), em Belém, Albaneida Guerra, informou que no ano passado somente aquela unidade atendeu mil adolescentes grávidas no turno da manhã. “Hoje nós temos pais jovens repetindo os mesmos moldes arcaicos de ensinamento sobre orientação sexual, porque têm vergonha de falar sobre o assunto. A participação da escola também é fundamental, já que ela é responsável pela formação da personalidade do indivíduo. Ela tem que ajudar”, defendeu Albaneide. A URE-MIA desenvolve trabalho educativo com a realização de oficinas e palestras com adolescentes de 11 a 16 anos.

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